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Waco é mais do que apenas uma cidade no centro do Texas. É a palavra, o lugar e tudo aquilo que Waco representa e também um marco de um fervor religioso e erro governamental no lado sórdido da imaginação americana e muitas vezes ignorado. É sinônimo de David Koresh, o profeta autoproclamado que viveu nas margens da cidade, o culto religioso que ele liderou e o cerco militar que deixou mais de 75 de seus seguidores mortos.

Waco também é o nome de uma nova minissérie de TV da Paramount Network. O série tem Taylor Kitsch como David Koresh, que tem uma luta com o agente do FBI, Gary Noesner, interpretado por Michael Shannon. Em apenas seis episódios, a série tenta contar as histórias daqueles que estão do lado de dentro e de fora do complexo, muitas vezes buscando humanizar os intérpretes de que ambos os lados do conflito não há, obviamente, pessoas “boas” e “más”.

O papel de Koresh como Kitsch é desempenhado com um notável carisma e às vezes retratado com uma simpatia transparente que negligencia ou minimiza o abuso causado em seus seguidores, o que, de acordo com testemunhos dos sobreviventes, variou de espancamentos a crimes de estupros. Cabe então, as mulheres de Waco, Melissa Benoist e Andrea Riseborough, como as duas de suas “esposas”, para mostrar as exigências diárias da vida em um culto.

Seus personagens muitas vezes se encontram presas entre a devoção fugaz e as emoções que são simultaneamente provocadas e procuram suprimi-las. Rachel Koresh, de Benoist, por exemplo, é uma forte devota de seu marido e seus ensinamentos, mas, no entanto, deixa transparecer o ciúmes ao confiar em outras mulheres. Judy Schneider, de Riseborough, é mais relutante em suas crenças, mas ainda está, em algum ponto, disposta a desistir de seu casamento pré-existente e a ter um filho com seu profeta.

É uma grande sequência para seis episódios, não apenas para reviver a humanidade dessas mulheres fora de seus equivocados status como “membros do cultos”, mas também incorporar suas psicologias, contradições e sonhos. Quando pergunto se elas gostariam de mais tempo na série para explorar suas personagens, Riseborough respondeu rapidamente: “Sim, quer dizer, bem-vindo em ser uma mulher!”

Houve algo, em particular, que vocês queriam trazer para a versão televisiva de Waco?

Benoist: Pelas mulheres serem a maioria (entre as pessoas do complexo) e por causa das circunstâncias em que viviam – no meio do nada nas planícies do Texas, sem água potável e condições de vida muito escassas – essas mulheres eram extremamente fortes. Em termos sobre Rachel, em especial, ela nunca tinha vivido no “mundo externo”. Ela foi uma Davidiana a vida toda. Então, esse foi um ponto de partida para eu racionalizar sua perspectiva das coisas.

Riseborough: O que incrível foi ter acesso às filmagens das pessoas que estávamos tentando não só refletir, mas honrar, porque eram pessoas reais – elas tinham famílias e vidas. Tivemos que ver exatamente como elas gesticulavam e falavam. Mesmo que as últimas gravações originais das fitas possam ser acessadas por qualquer pessoa no YouTube (elas são de domínio público), elas são onde eles realmente estão lutando por suas vidas. Todos os Davidianos estão dando testemunhos sobre o quanto eles acreditam em sua comunidade e o que de estranho estava circulando na mídia sobre o que está acontecia dentro do complexo, eles queriam expor a verdade. E mesmo que estivessem em uma situação muito tensa nesse ponto, você entende realmente o que eles são como uma comunidade. Todos tinham vidas tão diferentes, não é?

Uma das coisas realmente decepcionantes sobre ter aberto essa conversa sobre as mulheres de Waco – as mulheres que estavam no complexo do Ramo Davidiano – e que me perguntaram mais de uma vez no tapete vermelho da estréia foi: “Então você interpreta uma das esposas?” O que é tão insultante! Para eles! Quero dizer, Judy Schneider Koresh foi a matriarca da comunidade – essa é a minha personagem – e com Rachel, personagem da Melissa, seguraram as pontas juntas até o fim. Sem essas duas mulheres eu não tenho certeza de que, mesmo se as pessoas que sobreviveram teriam sobrevivido. É trágico quantas pessoas morreram. É incrível que alguém tenha sobrevivido, de verdade, dado o que o FBI fez com eles.

Eu li coisas sobre David Koresh bater em muitos membros da comunidade e os tratando muito mal, algo que, obviamente, se difere do David na série.

Riseborough: Trabalhamos com David Thibodeau, que escreveu um livro sobre Waco, no qual a série se baseia. Ele é um dos nove sobreviventes. Ele estava conosco no set todos os dias, o que era um luxo, como foi com Gary Noesner (o ex-negociador do FBI), então Michael estava em contato com ele o tempo todo. Nós realmente tivemos a mesma perspectiva de Thibodeau e ele estava muito encantado com David.

Objetivamente, a situação havia relações horrivelmente disfuncionais, principalmente na questão sexual – relacionamentos profundamente disfuncionais, que eram inadequadas e abusivas. Pelo lado de dentro, essa é uma reação muito humana para se referir a uma personalidade tão forte e dominante, não é? É essa reação de admirá-los ao invés de colocar (as pessoas) contra eles, entende o que estou tentando dizer?

Benoist: Sei exatamente o que está dizendo e eu acho que você está certa.

Você acha que as mulheres na série têm espaço suficiente para contar suas próprias histórias ou afirmar suas próprias individualidades fora do que David estava forçando nelas?

Riseborough: Eu não me senti assim. Falo por mim.

Benoist: Não.

Riseborough: Eu entrei muito nela com esperança de dar, mais do que poderia dar de mim, sobre uma melhor condição feminina do Ramo Davidiano. Mas acho que as mulheres envolvidas, fizeram tudo o que puderam. Haviam tantos elementos para a história que estávamos contando, porque eram de muitos ângulos diferentes também. Não se tratava apenas da situação davidiana, nem da “bagunça” de David. Foi um monte de outros desastres acontecendo ao mesmo tempo. Havia pouco tempo para entrar em conversas realmente fartas sobre o que era ser uma mulher Davidiana. Tal como ambas dormimos com o mesmo homem… Alguma vez houve esse tipo de conversa? Eu sinto que nos dirigimos a ele, mas porque é uma conversa longa e há tanto para se contar que não entramos a fundo nisso, o que teria sido interessante.

Benoist: Eu senti o mesmo. Mesmo no sentido de que as mulheres estavam muito mais envolvidas no cerco e uma parte do propósito do que Andrea está falando, sobre como tínhamos tanto material para mostrar. Kathy Schroeder registrou muito minutos a mais do que o que conseguimos retratar no telefone com o FBI. Eu acho que eles estavam mais envolvidos e tinham mais poder do que podíamos aprofundar.

Riseborough: Como uma mulher também, quando girando ou não em direção a um projeto, você fica em cima do muro, você precisa tomar a decisão se você quer realmente fazer o melhor trabalho de representar essas pessoas que realmente sofreram, fazer parte de isso e se mostrar o lado feminino, mesmo que talvez não seja uma mensagem tão forte como você gostaria que fosse da perspectiva feminina ou se você simplesmente se exclui inteiramente. No set com as mulheres, estávamos muito envolvidas. Mesmo que você não nos veja muito (risos).

Annika Marks é um exemplo perfeito disso, que interpretou Kathy. Sua personagem foi extremamente influente com as negociações com o FBI e os Davidianos, mas não é trazida para o roteiro. Estávamos no set, dia após dia, experimentando a sensação do que é interpretar um estepe para um egomaníaco. Nós realmente vivemos isso – Taylor fez um bom trabalho ao desempenhar um egomaníaco. [risos]

De acordo. Eu reconheço que minha pergunta foi um pouco difícil de responder, porque, especialmente devido às conversas que estamos tendo sobre a indústria do entretenimento no momento, você está quase que presa a representar “mulheres” nesta situação ferrada. Há muita política dentro disso. Dito isso, eu estava pensando, o que você sente sobre o personagem de Koresh sendo retratado com tanta simpatia? Nós já abordamos um pouco sobre isso mas eu queria perguntar mais diretamente.

Benoist: O que é difícil é que, ao finalizar a filmagem, todos tivemos muita simpatia pelos Davidianos como um todo. Fiquei dilacerada me colocando no lugar deles e pelo o que passaram. Isso é difícil mas sempre houve, em todas as conversas que tivemos, “Bom, sim, mas ele estava fazendo isso e aquilo.” E ele estava dormindo com todas as mulheres e ele tinha quantos filhos.

Riseborough: Você coloca alguém como Taylor Kitsch, que tem grandes trabalhos que muitas pessoas têm acesso e ele tem grande apoio de fãs, imediatamente as pessoas vão adorar alguém como ele desempenhando esse papel. Pessoalmente, penso que se você assistir a alguém assim e vê suas ações, independentemente de como ele está interpretando isso simpaticamente, você ficaria um pouco desprovido moralmente e pensaria: “Céus, ele está fazendo um excelente trabalho aqui”. (Risos)

Benoist: Eu acho que isso está enraizado. As partes estranhas estão lá, independente de como ele interpreta elas.

Riseborough: Foi uma situação loucamente disfuncional, que houve abusos. Está tudo dentro do contexto, e essa é a minha opinião. É realmente importante tentar vê-lo de todas perspectivas para compreendê-lo e se unir, ao invés de julgas à distância. Taylor fez um bom trabalho para tornar o papel empático. Ele realmente tentou olhar para a perspectiva de David e tenho certeza de que não era um excelente lugar para estar durante três meses. Não era um ótimo espaço para nenhum de nós estar.

Como mulher, em qualquer filme ou qualquer série, fazemos a maioria das partes emotivas. Quando as mulheres estão queimando e sufocadas até a morte, tentando acalmar as crianças inquietas, esse é um trabalho realmente difícil. Eu dei tudo de mim para apelar para estes recursos, a cada dia pensando: “Eu estou contando esta história para um propósito maior.” Relembramos as mortes de todas as mulheres e crianças sufocadas no subsolo e depois queimando até a morte. Foi horrível. Nós tínhamos filhos no set e foi difícil para todos: é apenas a realidade do que eles passaram e quão mal o FBI também se comportou. Foi chocante. Se você realmente olhar para isso, tenha um pouco de conhecimento – leia por cinco minutos e perceba: certo, isso se tornou um grande bastão político sendo passado de um lado para o outro. A situação de David Koresh se tornou uma ferramenta de negociação e, infelizmente, um homem foi o vilão que se comportava de forma terrível. Mas não só ele foi detido, dezenas de pessoas morreram por causa de como o FBI o tratou e por causa de como o Clintons o tratou.

Benoist: Dito isto, você tem que ser empático com todos eles. A história que estamos tentando dizer é que, humanizando e mostrando ele justificando todas as suas ações, quaisquer que fossem os motivos por mais egocêntrico que fosse, ele era um humano e nenhum deles mereciam morrer no incêndio.

Fonte: Interview Magazine

A história do cerco de 51 dias no Monte Carmelo entre o ATF, o FBI e a seita religiosa de David Koresh, continua na noite de quarta-feira (31/01) com o segundo episódio da mini-série de apenas seis episódios.

Waco conta o conto da batalha de armas mais longa na história da aplicação da lei dos EUA, na qual 76 homens, mulheres e crianças no complexo Davidian foram mortos. A série estrela Taylor Kitsch como Koresh, Michael Shannon como o negociador do FBI Gary Noesner e Melissa Benoist como a esposa de Koresh, Rachel.

“É um conto preventivo (‘cautionary tale’). Foi algo que não precisava ter acontecido. Isso mostra as circunstâncias que criaram essa tempestade com a ATF e o quanto eles precisavam provar de si mesmos, então eles apareceram com tanques por causa de um mandato de $50 e houve um tiroteio por cerca de uma hora e as pessoas morreram no primeiro dia. Isso se intensificou de forma tão rápida que não havia mais retorno. Tudo o que deveria ter sido feito era que as pessoas olhassem além da superfície para manter as mulheres, as crianças e as pessoas inocentes fora disso”, disse Benoist à Parade.com em entrevista exclusiva no 25º aniversário da tragédia.

O quanto você conhecia sobre a história de Waco antes de entrar nesse projeto?

Eu sabia o quanto a maioria de nós sabia. Eu vi a cobertura de notícias. Eu era muito jovem, então eu não acho que a gravidade ficou registrada em mim, mas eu tinha família no Texas. Eu acho que senti necessidade de saber exatamente o que estava acontecendo. Obviamente foi um acontecimento memorável, mas eu só sabia o que a mídia mostrava, o que não foi nem a metade do que realmente aconteceu.

Você acha que existe um ponderamento ao contar sobre este acontecimento, que mostra o ponto de vista de ambos os lados?

Eu acho que é um testemunho da narrativa dos Dowdles (John Erick e Drew) contar histórias em que há uma área pouco nítida. Eu acho que eles queriam mostrar a humanidade de todos os envolvidos. Haviam pessoas boas nos Davidianos e também haviam pessoas boas no ATF e no FBI. Foi uma situação impossível que saiu do controle desde o início. Terríveis erros de comunicação. Foi uma tragédia que poderia ter sido evitada e não deveria ter acontecido.

Qual é a sua opinião sobre David Koresh? Você acha que ele era um megalomaníaco? Você acha que ele estava crente do que ele estava fazendo?

Eu acho que ele era um pouco das duas coisas. Vale a pena notar o que ele criou de si mesmo, o que ele fez de si mesmo, considerando de onde ele veio. Ele teve uma educação terrível e fugiu de casa quando tinha 14 anos. Ele mudou seu nome e tornou-se o líder desta igreja através de outra história louca que envolveu um tiroteio.

A maneira como ele realmente ganhou o controle do Monte Carmelo foi bastante agressivo e quase como o Oeste Selvagem, mas ele tinha traços que não eram tão bons. Eu acho que ele tinha essa energia magnética sobre ele. Ele era literalmente o sol, em que tudo no Monte Carmelo girava em torno de todos os Davidianos.

Havia um grande material de pesquisa sobre Rachel para você investigar?

Não havia muito material para eu ler sobre ela, nem tanto quanto David Koresh para Taylor, mas havia muitas fotos de Rachel com David e seus filhos. Há alguns relatos de pessoas que os conheceram. Os dois advogados que entraram no Monte Carmelo durante o cerco, que ela serve um ‘Frango à la King’ no escritório, aparentemente achavam que ela estava muito quieta. O que eu sei é que ela tinha 14 anos quando David decidiu que queria se casar com ela. Ela era sua primeira esposa. Ele a pegou e partiram para fazer suas missões juntos. É inimaginável e difícil de compreender.

Você acha que ele a deixou fazer parte do processo das decisões? Você acha que ele respeitou sua inteligência?

Absolutamente. Eu penso que por causa de seu ego, talvez não na frente das pessoas, mas acho que ela era uma das únicas mulheres que ele ouvia e provavelmente atrás das portas fechadas. Ela era a principal pessoa que dormia na cama com ele mesmo que ele tivesse outras esposas. Ela era os olhos e os ouvidos das mulheres e crianças no complexo. Então, eu acho que ela provavelmente teve muito a dizer sobre como executar as decisões, a estrutura da maneira como eles viveram e trabalharam.

Você acha que ela estava confortável que ele tivesse outras esposas?

Essa era uma parte de suas Novas Revelações. Eu acho que ciúmes e inveja são emoções humanas que você não pode controlar e não consigo imaginar como ela pôde não sentir isso de vez em quando. Não sei como isso seria possível, mas essa era a realidade dela. Ele tinha 12 outras esposas, ou ela era uma das 12, incluindo sua irmã. Mas um fato interessante sobre ela é que ela era a única que teve o sonho de que Deus falou com ela e disse que David precisava se casar com sua irmã mais nova, Michelle. Então, essa foi quase que uma decisão dela. Descobrir isso fascinante e algo difícil de reconciliar.

Você sentiu que as coisas iriam tão longe assim quando começaram o conflito?

Eu não sei se algum deles sentiram, mas acho que foi uma situação impossível desde o começo e acho que Rachel provavelmente, pelo que eu suponho, tratou mais sobre cuidar e proteger as crianças, mas eu não acredito que ela nunca teria seguido David.

Sente compaixão por essas pessoas?

Claro que sinto. Eu sentia muita empatia por eles e senti de uma perspectiva que não esperava sentir. Aprendi muito e espero que todos possam aprender.

Waco é uma diferença de 180 graus de Supergirl. Esta mulher não é totalmente emponderada. Foi isso que fez você querer interpretar ela? por ela ser tão diferente?

Não é apenas o fato de que ela é diferente, é a história ser tão atraente para mim. Eu acho que Rachel está emponderada em seu mundo. Ela estava obviamente em circunstâncias muito diferentes do que a Supergirl, e Supergirl obviamente tem muito empoderamento. A força de Rachel é interna e muito mais silenciosa, mas essa história foi uma que eu realmente me senti atraída para ser parte de contá-la.

São histórias como essa pela qual você ama ser atriz?

Bem, sim, claro. Este papel, especificamente, é muito especial porque parte do que conseguimos fazer é esclarecer coisas que as pessoas não necessariamente conhecem, especialmente quando se trata de um acontecimento histórico ou algo que realmente aconteceu. Nós olhamos profundamente para um acontecimento que foi enigmático, confuso e que as pessoas só viram um lado dele.

Tradução e adaptação por Melissa Benoist Brasil

Waco, a minissérie de televisão da Paramount Network – em seis episódios – conta a história de David Koresh (brilhantemente interpretado por Taylor Kitsch), o Branch Davidians e a sua suspensão de 51 dias que resultou na morte de quase 80 homens, mulheres e crianças. A imprudência do governo, o fanatismo religioso, as teorias de conspiração e os encobrimentos, mudaram as águas quando se tratou de entender o que realmente aconteceu no Monte Carmelo em Waco, Texas, entre uma pequena comunidade religiosa, a ATF (Departamento de Tabaco e Armas de Fogo) e o FBI. Dos criadores John e Drew Dowdle, a série estrelará com Michael Shannon, John Leguizamo, Melissa Benoist, Paul Sparks, Julia Garner, Shea Whigham, Andrea Riseborough, Rory Culkin e Camryn Manheim, entre outros.

Enquanto estava na apresentação da conferencia de imprensa da Rede Paramount no TCA, a Collider teve a oportunidade de conversar com Melissa Benoist sobre o apelo de Waco, do por que ela queria interpretar Rachel Koresh, como ela se aproximou de alguém (da personagem) que nem sempre foi fácil de entender, os maiores desafios deste projeto, o que ela espera que as pessoas retirem dessa história e como é provável que volte ao espaço de mergulhando de cabeça em Supergirl.

Se você estava procurando uma personagem diferente de Supergirl, não consigo imaginar que você possa encontrar uma muito diferente da esposa de David Koresh.

Isso é verdade!

Qual foi a atração por fazer esse papel?

Certamente foi parte de ter sido atraída. Inicialmente, fiquei fascinada pelos Davidians. Isso realmente não se aplica a Rachel Koresh porque ela nasceu na igreja e isso foi tudo o que ela conheceu, mas fiquei fascinada com a psicologia de como as pessoas chegam a esse lugar – um lugar como o Monte Carmelo e uma tribuna do FBI – por 51 dias. Essa foi a atração inicial. Claro, cada ator quer desempenhar tantos papéis na escala Richter quanto possível, e Rachel Koresh certamente é muito diferente da Supergirl, mas ela compartilha muito da força que a Supergirl tem.

Apenas não o mesmo nível de positividade.

Não é?! Ela não se trata sobre a verdade, a justiça e o jeito Americano.

Rachel Koresh era uma mulher que você achou capaz de entender? Tanto quanto suas motivações e o por que ela estava ok com certas coisas que estavam acontecendo.

Uma parte do meu trabalho, quando estou interpretando uma personagem e abordando o papel, é racionalizar e não julgar, seja o que for. Mesmo que houvesse coisas que eu não concordaria ou não conseguiria compreender, o que foi uma grande parte dessa história, porque é tão complicado e muito daquilo é uma área nebulosa. Ainda assim me aproximei de Rachel com mente aberta e um coração empático . Não há outra maneira de contar sua história. O que ela passou foi muito trágico. Além disso, a atmosfera no set era muito de uma comunidade. Nós realmente gostamos de moldar este mundo e contar esta história com sinceridade, sobre o que aconteceu no Monte Carmelo, dentro do prédio que todos viram tanto nos noticiários. Isso se tratou simplesmente em nos permitir fluir e ser livre para contar a história dessas pessoas.

Isso é realmente importante porque, até agora, só conseguimos ver essas pessoas como vilões.

Eles só foram condenados e sua narrativa é muito importante para mim. Para todos os efeitos, deixando Koresh de lado, porque o que ele fazia era errado e havia muitas coisas sobre ele que não eram aceitáveis, as pessoas naquele composto eram apenas pessoas e muitos deles eram pessoas muito boas. Eles cuidaram um dos outros. Eles estavam tão isolados e separados, e eles estabeleceram em sua própria pequena sociedade regras de como viver e isso funcionou para elas. Essa é uma história importante para se contar quando algo está tão ruim. Se você concorda com cada método de seu modo de vida, o que eu experimentei ao estar em torno de uma comunidade de pessoas, que foram todos muito cuidadosos sobre a forma de como contamos a história e fizemos muitas pesquisas, era que havia apenas muito amor lá. O que eles tiraram, principalmente da Bíblia, foi de como ser uma boa pessoa e como tratar bem as outras pessoas também. O que eles estavam fazendo é o que eles achavam que estava certo. Eles achavam que o resto do mundo estava vivendo do jeito errado.

Quais foram os maiores desafios para você, ao interpretar Rachel Koresh?

Alguns dos maiores desafios foram preencher muitas lacunas porque não havia muita informação tangível para eu me basear no desenvolvimento da personagem. Ela estava em muitas fotos com David, sempre no fundo e sempre segurando uma criança. Há alguns relatos de que ela estava por perto, mas, para todos os efeitos, ela era uma espécie de mistério para mim, então isso foi difícil. Eu tinha realmente que sentir muito disso, vestir as roupas, estar no prédio e estar ao redor de Taylor Kitsch, que sofreu uma enorme transformação física. Ele perdeu muito peso, deixou o cabelo crescer e usou esses óculos aviador. Além disso, o desafio era que o assunto é muito pesado. Passando três meses com essas pessoas, o fim foi realmente difícil e é algo que vou levar comigo para sempre. Eu acho que é algo que eu nunca irei estremecer.

Foi bom ter Supergirl de volta depois de uma experiência como essa?

Foi tão estranho voltar para Supergirl. Foi uma mudança perturbadora. Dentro de uma semana, eu estava lutando contra vilões e fazendo as coisas irônicas dos quadrinhos. Eu estava com a cabeça em um estado tão diferente, então foi uma grande transição, com certeza.

Foi mais desafiante voltar a interpretar Supergirl do que era Rachel Koresh?

Sim, absolutamente! Supergirl já me era familiar, então eu sabia no que estava trabalhando. Mas onde eu tinha finalizado em Waco estava profundamente emocional e triste, então definitivamente foi mais difícil voltar para Supergirl.

Havia desafios na sua agenda entre as filmagens de Waco e Supergirl?

Sim, houve muitos desafios logísticos. Havia uma quantidade limitada de tempo e, de alguma forma, se encaixava. Eu tive sorte que funcionou da maneira que aconteceu. Foi uma experiência completamente diferente de se saborear e preencher meu tempo, por assim dizer.

Uma vez que há tanto que não sabemos sobre essas pessoas ou o que realmente aconteceu durante a suspensão, o que você espera que as pessoas tirem de aprendizado ao ver quem eram essas pessoas?

O que eu espero que aconteça é que as pessoas a observem com uma mente mais aberta e também um coração aberto, quaisquer que sejam suas idéias preconcebidas sobre esta história ou evento. Vivemos em um mundo que se sente muito divisivo neste momento e sempre há muito mais do que atende aos olhos. Eu acho que essa é uma história tão trágica e espero que as pessoas possam obter uma imagem melhor das coisas que não são tão em “preto e branco”. É uma área cinza e maciça, onde a história se move constantemente.

O que você gostou sobre Rachel Koresh?

Ela era tão icônica, pelo menos da maneira que eu escolhi para interpretar com ela. Ela não é muito de falar nessa série, mas suas ações falam alto. O que eu gostei sobre ela foi que em seu relacionamento com David Koresh, um dos sobreviventes do fogo – David Thibodeau – estava lá todos os dias e ele disse que ela era uma das únicas pessoas que David realmente ouvia, mas acho que ela apenas fez isso dentro de quatro paredes. Ela era extremamente forte e esteve por lá a vida toda. Eu acho que ela teve muito poder e o segurou internamente, ela teve muito orgulho. Eu realmente a respeitei. Eu acho que ela era uma mulher que conhecia seu propósito ou sentiu que sabia e realmente se comprometeu com isso.

Você teve dificuldade, como Rachel, em reconciliar se poderia se dedicar ao amor que ela tinha por David, mas ainda estar de acordo de ele ter filhos com todas essas outras mulheres?

Não tive problemas, mas achei fascinante. Rachel teve um sonho de que David deveria se casar com sua irmã mais nova, o que ele acabou fazendo. Foi seu pedido para Deus que sua irmã mais nova se casasse com seu marido e tivesse filhos com ele. Não sei como conciliar isso e não sei como realmente sentir. Eu nunca irei. Esse foi outro desafio nisso. Há tantas coisas que não sabemos e há tantas coisas que nunca vamos saber tragicamente porque morreram do jeito que aconteceu. Houve muita coisa que eu não sei como entender. Tudo o que posso fazer é o respeito de que essa era a vida dela. Ela era muito enigmática. O ciúme é uma emoção humana, independentemente de você ser um seguidor Davidian ou se você é quem quer que seja fora da sociedade. Ela tinha que ter sentido isso, especialmente quando era sua irmã. Isso não poderia ter um sentido normal, embora essa fosse sua realidade. Eu não sabia se algum deles, por dentro, já havia começado a duvidar de Koresh durante o cerco, mas eu sabia que Rachel teria sentido uma paixão intensa por proteger seus filhos. Isso também é algo que exploramos foi muito doloroso.

Sem ser especificamente político ou religioso, quando você faz um projeto como este e conta uma história como essa, isso faz você olhar a política, o governo e os religiosos de forma diferente?

Absolutamente! Durante as filmagem, tivemos debates constantemente, mas algumas conversas eram sobre simpatia e como essas pessoas não eram pessoas ruins e de como elas não eram cultos. Eles foram muito mal representados. Foi surpreendente o quanto minha perspectiva mudou e de como as coisas em que eles acreditavam, pensavam e sentiram começaram a parecer racionais, mesmo que não fossem. Quando estávamos nesse momento, cercado por seu modo de pensar, Taylor Kitsch nos dava sermões, não é que mudou completamente minha espiritualidade ou minhas posições políticas, mas certamente me deu uma nova perspectiva. Isso me deu uma maneira mais ampla de se aproximar das pessoas e ver sua humanidade, ou pelo menos tentar, mesmo quando eu não as entendo porque há muito disso agora.

Supergirl encantou o público e trouxe para a vida a novas partes da DC Comics há três anos. Mas, de acordo com a estrela da série, há uma coisa que ela mais gosta de fazer neste trabalho.

Em uma entrevista recente no Talk-Show ‘Jimmy Kimmel Live’, Benoist foi questionada sobre o que ela considera ser a melhor coisa sobre interpretar a Garota de Aço.

“Assim, eu tenho que voar!” Benoist sugeriu.

Quando Kimmel perguntou exatamente sobre o esforço para fazer as cenas de vôo, Benoist insinuou que ocasionalmente há alguns desafios.

“Sim, é um trabalho árduo. Eu sou literalmente pendurada em um cabo no ar”.

De acordo com a atriz, parte desse trabalho difícil, envolveu aulas de treinamento específicos, o que a ajudou a encontrar várias partes de seu tipo de “físico de super-heróis”.

“Há uma espécie de escola de fisicalidade de super-heróis que você tem que frequentar. Pelo menos, nós fizemos nas séries da DC. Há uma equipe de acrobatas que ensina a andar como um super-herói. Ou, eu tive que ver acima com a idéia de como minha visão de calor ficaria e com qual posição que parece congelar a respiração”.

E, como Benoist revelou, essas aulas eram muito úteis – e tiveram um impacto muito positivo em sua postura.

“Eles são incríveis, e eles realmente me ajudaram. Minha postura melhorou por causa desse trabalho. Eu meio que tinha uma postura ruim antes, mas o uniforme não me oferece outra opção. É apenas um espartilho e fechado até em cima. E com postura ereta eu fico”.

FONTE

Confira a entrevista completa e legendada por nossa equipe:

Melissa Benoist No Jimmy Kimmel Live! (Entrevista Legendada) from Melissa Benoist Brasil on Vimeo.

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